A cura interior é uma gritante necessidade atual
A necessidade da cura interior está refletida em sua auto-avaliação acima (e possivelmente na sua auto-avaliação da semana anterior).
Vejamos rapidamente algumas informações quanto aos onze itens dessa auto-avaliação.
Muitas pessoas são alcoólatras ou viciadas, têm pai ou mãe alcoólatra ou viciado ou mesmo algum outro membro próximo, na família. Lembro-me do dia em que minha esposa, Débora, perguntou para uma classe da Escola Dominical em uma determinada igreja quantos tinham um membro da família (pai, mãe, marido etc.) que era alcoólatra. Das 18 senhoras presentes, 16 levantaram a mão.
Alcoólatras têm tona certa síndrome, um certo conjunto de comportamentos e atitudes com os quais se relacionam com os outros. Nas últimas duas décadas, tem sido bem documentado que os filhos de alcoólatras têm grande tendência de assumir essa síndrome, ainda que não tomem álcool (o que é conhecido por "alcoolismo a seco"). Minha sogra é um exemplo disso. Ela foi criada numa família em que seu pai era alcoólatra e abusava da mãe e das crianças terrivelmente. Ela se converteu depois de se casar e foi para a Guatemala com o marido para trabalhar como missionária, traduzindo a Bíblia para uma tribo nativa. Sua vida como missionária por mais de quarenta anos e de casada por mais de cinqüenta tem sido uma grande demonstração do que Deus pode fazer com uma pessoa que o diabo procurou destruir. Ao mesmo tempo, ela herdou a síndrome de uma filha adulta de alcoólatras. Isso quer dizer que ela se relacionava com outros, especialmente os de sua família, como ela viu seu pai se relacionar.
Inconscientemente, ela agia como alcoólatra, sem nunca ter tomado álcool. Seus oito filhos foram criados num lar com "herança alcoólatra", que era também fonte de abusos emocionais. Sendo missionária e tendo uma família grande, sua família sempre foi louvada como exemplar, especialmente quando visitavam igrejas nos Estados Unidos. Todos os filhos se formaram na faculdade e a grande maioria tem títulos de mestrado ou doutorado. Todas as seis filhas se casaram com pastores e missionários e os dois filhos se casaram com filhas de missionários. No momento, um está trabalhando na Guatemala, como diretor de uma agência reconhecida internacionalmente, e o outro, como editor de uma editora evangélica responsável por 120 novos títulos por ano. Louvado seja Deus! Todavia, os traumas dentro da família foram profundos. Com uma ou duas exceções, todos os seus filhos passaram ou ainda estão passando por grandes crises. Eu comecei a namorar minha esposa quanto ela estava à beira do suicídio. Sem saber, fui usado por Deus para trazer cura interior a ela. Sugeri que. para nos conhecermos, contássemos nossa história um para o outro, considerando uni período de cinco anos de cada vez. Eu contei os meus primeiros cinco anos na Bolívia em vinte minutos. Ela começou a contar seus primeiros cinco anos e demorou horas, com muitas lágrimas e dor. Meus cinco anos seguintes levaram mais 30 minutos. Seus cinco anos seguintes levaram outras horas e horas, com mais choro e desabafo. E assim sucessivamente. Desde então, Débora já passou por três outras crises, a ponto de precisar de aconselhamento ou cura interior, duas delas em relação a sua mãe e uma em relação a seu pai. Essa última precisou de um ano de encontros semanais com uma equipe de duas mulheres com o ministério de cura interior. A bênção é que Deus tem usado isso para chamá-la e prepará-la para o ministério de aconselhamento e cura interior.
Outros irmãos de Débora têm histórias angustiantes, que incluem divórcio, depressão, afastamento de Deus, recusa a toda comunicação ou relacionamento com os pais por vários anos, abuso violento da esposa com uma raiva incontrolável e lutas contra o suicídio. Compartilho essa experiência para ajudar você, querido leitor, a entender o terrível dilema de ser filho de Deus, comprometido com Ele e consagrado ao ministério, mas escravizado emocionalmente pela síndrome do alcoolismo, mesmo sem a presença do álcool!
Alguns livros ou recursos que podem ajudá-lo a tratar com pessoas alcoólatras ou viciadas:
- Alcoólatras Anônimos. Você pode encontrar o telefone deles no guia telefônico de quase toda cidade grande.
- Anderson, Spickard; e Thompson, Bárbara R.; Dando a Vida Por um Drinque (O que Você Precisa Saber Sobre O Alcoolismo), Ed. Vida, 1985/1992, 201 páginas.
- Barcelos, Carlos; Criando Sua Liberdade - Vida Sem Co-dependência, Ed. Gente, 1993, 105 páginas.
- Barcelos, Carlos; Livre-se do Alcoolismo (Guia de Aconselhamento Para Recuperação do Indivíduo e da Família), Ed. SEPAL, 1992, 119 páginas.
- Cerling, Charles, Jr.; Liberte-se dos Maus Hábitos, Ed. Candeia, 1988/1988, 143 páginas.
- Dário Luiz e Douglas Jr; Síndrome de Popeye, Conexão Paz, C.P. 147, 14001-970 - Ribeirão Preto, SP; Fone (016) 622-4663, 60 páginas.
- Dunn, Jerry G.; Deus E a Favor do Alcoólatra, Ed. Vida, 1967/1986, 223 páginas.
- Kornfield, David; Aprofundando a Cura Interior: Os Doze Passos, Ed. SEPAL, 1998. O livro é para ser usado num grupo de apoio de 8-12 meses para ajudar um filho adulto ou pessoa disfuncional a passar dos doze passos dos alcoólatras anônimos de uma forma integrada com a Bíblia, o Espírito Santo e a Cura Interior.
2. Muitas pessoas crescem numa família disfuncional, não tendo pai e mãe amorosos que refletem juntos os propósitos de Deus para a família. A revista Veja (11/10/95) publicou um artigo chamado "Mamãe Sabe Tudo" (págs. 62-69), sobre famílias chefiadas por mulheres solteiras. A porcentagem de famílias com mães solteiras subiu de 13% em 1970 para 20% em 1995, ou seja, uma em cada cinco famílias, não importando a classe social. Eu considero essas mães grandes heroínas. Sinto que a igreja deve fazer o possível para que cada uma delas possa ter o apoio de uma família que as adotem e também a seus filhos, levando-os a passeios especiais, proporcionando uma influência masculina saudável, demonstrando, assim, afeto para com todos eles.
A maioria das famílias, graças a Deus, tem pai e mãe. Mas muitas dessas famílias também são disfuncionais ou doentias por várias razões.
A. Os pais não se amam ou não demonstram afeto para com suas crianças. Minha mãe foi criada sem nunca ouvir, uma única vez, as palavras "Eu te amo" de seus pais. Como resultado, ela resolveu que nem um dia em que estivesse com suas crianças passaria sem lhes dizer essas palavras. Eu passei dez anos internado numa escola para filhos de missionários e, depois, passei dois anos sem ver meus pais, quando fui para a faculdade nos Estados Unidos, aos 17 anos, mas sabia que era muito amado. Minha mãe cumpriu com seu voto de demonstrar e verbalizar seu amor constantemente.
B. O pai está foi-a tanto tempo que os filhos quase não o conhecem. Muitos pais, quando chegam em casa, estão cansados demais para atender os filhos. Isso é demonstrado por pastores e obreiros que colocam o ministério como prioridade, acima da família. Lembro-me de uma mulher chorando em minha frente, dizendo "Se meu marido passar a ser obreiro da igreja, vou perdê-lo".
Ela estava certa, porque um ano e meio depois estavam planejando separar-se. Quando Débora e eu sentamos com eles para mostrar na Bíblia que a família deve estar acima do ministério, meu amigo presbítero se surpreendeu. Nunca havia ouvido nada parecido! Ele arrependeu-se e comprometeu-Se novamente com sua esposa. Isso não quer dizer que foi fácil demonstrar mudanças em sua vida.
Eu expliquei-lhe como poderia ter uma noite da família, e ele concordou que queria ter tal noite semanalmente. Depois de uma semana, perguntei-lhe como tinha sido. "Não deu certo!", disse ele.
Perguntei-lhe na semana seguinte. "Não deu certo." O mesmo se repetiu na terceira semana. Depois da quarta semana, ele respondeu com um sorriso radiante que conseguira celebrar uma noite da família. Com grande alegria, eu perguntei-lhe o que fizeram. "Reuni a família toda e fomos para um culto na igreja." Meu Deus! Muitas mudanças não vêm simplesmente por se ter boas intenções. As pessoas precisam de um ensino bíblico e de um discipulado para prestar contas quanto à demonstração de frutos de arrependimento!
C. A televisão domina a casa, bloqueando a boa comunicação e o desenvolvimento de relacionam emitas saudáveis. E comum entrar na casa de alguém e ter que lutar para se fazer ouvido acima do som da televisão. Existem lares onde a televisão é o primeiro aparelho a ser ligado de manhã e o último a ser desligado à noite. Sem falar dos valores que a televisão transmite: materialismo, violência e impureza. Quero destacar que ainda que a programação seja excelente, quando a televisão domina, a casa torna-se disfuncional e doentia.
D. Pais dominadores e autoritários são comuns, especialmente nas igrejas mais radicais ou pentecostais, onde o pastor-modelo é autoritário. Tais pais são muito distantes de seus filhos emocionalmente e não os compreendem. Eles acusam os filhos de serem rebeldes, mas na verdade têm muitas dificuldades para dialogar com eles por causa dos altos padrões que se impõem e inabilidade para expressar suas emoções de forma saudável.
3. Muitos, hoje, são membros de uma família disfuncional. O item anterior falou do passado. Este item repete o assunto no presente. Se a família for abusiva mesmo, é provável que os filhos não poderão encontrar cura interior enquanto continuarem sendo feridos no dia-adia. Filhos que estão sofrendo abusos emocionais ou fisicamente podem precisar de uma distância física e emocional de seus pais para abrir seus corações feridos ao difícil processo de reconhecer sua dor e tratar dela. Desafortunadamente, muitos líderes na igreja lideram famílias disfuncionais.
4. Muitos têm sofrido ou praticado abuso sexual: incesto, estupro, homossexualismo etc. Você sabe que o corpo entra em choque quando há um trauma grande. Nos primeiros minutos, nem se sente a dor do trauma. Deus nos formou de tal forma que os nervos fecham-se, recusando-se a transmitir uma agonia que ultrapassa sua capacidade.
A mesma coisa acontece, muitas vezes, quando uma criança é vítima de abuso sexual. Seu sistema de defesa psicológica bloqueia totalmente sua memória. Às vezes, ela nem consegue, quando adulta, lembrar quase nada sobre alguém que esteve muito envolvida em sua vida, durante um certo período que pode ser de meses ou anos. Muito tempo depois, às vezes na faixa de 30 a 35 anos, essa pessoa começa a sentir emoções profundas e terríveis sem saber porque. Muitas vezes, essas emoções são despertadas para ter relacionamentos que repetem a mesma estrutura emocional dos abusos sofridos no passado. Sente coisas como raiva, depressão, autodesprezo, medo e desejo de se suicidar. O choque do trauma está passando, e Deus está permitindo que a dor volte agora que a pessoa tem mais condições de agüentá-la e resolvê-la. A dor, normalmente, volta antes da lembrança da fonte da dor. E preciso muito cuidado por parte de pessoas treinadas em cura interior e às vezes em psicologia, para superar essa fase.
Sem tal ajuda, a pessoa pode tornar-se amarga e hostil, negativa e venenosa, se divorciar ou se suicidar. Tal pessoa tem uma tendência de expressar sua dor e raiva abusando dos outros. Um grande recurso nessa área é o livro de Dons VanStone e E. Lutzer, Não Tive Onde Chorar (Ed. Vida, 1990/1995), que fala da dor e da cura do abuso sexual experimentado quando criança.
Homossexualismo geralmente,surge por meio de uma deficiência no relacionamento entre os pais, quando, geralmente, o esposo se ausenta por envolver-se com algo ou alguém no lugar da esposa. Esta, por não ter o esposo presente, se apega excessivamente a um filho ou uma filha. Esse desequilíbrio gera dificuldades na identificação do filho quando adulto. Sem ter um bom modelo de como relacionar-se com um homem de forma íntima e saudável, a identidade sexual da pessoa (homem ou mulher) pode ser distorcida, deixando-a sem afeto natural para com o sexo oposto.
Livros recomendados nessa área incluem os seguintes:
- Bradford, Brick et. al., Cura Para o Homossexual, Ed. Betânia, 1978/1987, 81 páginas.
- Carvalho, Esly Regina 5. de; Homossexualismo: Abordagens Cristãs, 1989, Eirene do Brasil, C.P. 900, Cep 80001-970, Curitiba-PR.
- Castilho, Lísias; Homossexualidade, Ed. ABU, 1989, 72 páginas.
- Payne, Leanne; Cura Para o Homossexual. Ed. Louva a Deus, 1994.
- White, John; Eros e Sexualidade, Ed. ABU, 1977.
5. Muitos têm sofrido unia rejeição profunda por: divórcio, exclusão da igreja, rejeição pelos pais, ser portador da AIDS, ficar repetidas vezes desempregado, limitações físicas etc. Vinte e um por cento dos casamentos no Brasil acabam em divórcio. E isso é recente, pois o divórcio só foi aprovado em 1977. O divórcio é quase sempre traumático. Entre os motivos que levam à separação de um casal, a traição é o que desponta em primeiro lugar nas estatísticas dos escritórios de advocacia, chegando a atingir metade dos casos (Veia, 11110/95, págs. 65-66).
O trauma do divórcio é profundo, afetando todas as áreas da vida: financeira, social, emocional, espiritual e sexual. O trauma se complica ainda mais para a mulher que tem filhos. Muitas vezes, ela tem que se tornar pai e mãe, ganhando a vida sozinha, fazendo o possível e o impossível para criar seus filhos. E terrível quando esse trauma é reforçado por rejeição da igreja.
Sem comentar cada tipo de rejeição, permita-me dar apenas uma palavra quanto ao desemprego. Eu passei por duas depressões profundas. A primeira durou cinco meses, quando fiquei desempregado e tive meus sonhos de jovem adulto frustrados. O segundo, quando minha igreja se reuniu, em minha ausência, e votou para que eu não continuasse como pastor. Outra vez isso quebrou sonhos, pois havia fundado a igreja com altos ideais dentro do modelo da igreja primitiva.
Na primeira depressão, eu trabalhava como professor de Educação Cristã em nível de pós-graduação. Cinco meses antes do final do ano escolar, recebi um aviso-prévio de que não queriam que eu continuasse. Na verdade, não estava desempregado. Tinha classes para ministrar, artigos para escrever, lições para preparar e corrigir. Mas eu me sentia desempregado e profundamente rejeitado por pessoas em quem confiava e com quem sonhava oferecer um modelo diferente de treinamento para pastores e líderes para o ministério. Houve dias em que eu ia para meu escritório, apagava a luz e me deitava no chão, por horas, sentindo-me paralisado, inútil, sem forças para fazer coisa alguma, muita menos para enfrentar as repetidas rejeições embutidas no processo de procurar outro emprego. Comento isso só para ilustrar o poder destrutivo da rejeição e encorajar um apoio emocional e espiritual muito especial para pessoas desempregadas.
6. Muitos têm sofrido mágoas ou relações quebradas. Convidando uma vizinha para nosso grupo familiar, ela perguntou onde nos reuníamos. Expliquei-lhe que fazíamos rodízio. "Nessas duas próximas semanas será na casa de "Dona Beltrana", depois será na nossa. Oh, eu não vou enquanto for na casa dela; porque não falo com ela; quando for em outra casa, eu vou, ela firmou. Outro vizinho. bom amigo meu. tem se recusado por vários anos a participar de nosso grupo familiar, deixar suas crianças participar do clube bíblico em nossa casa, participar da festa de natal da vizinhança ou de qualquer outro evento, nos quais membros de outra família de desafetos estariam presentes. Relações quebradas. Cada uma reflete trauma, amargura, hostilidade e dor. Outras vezes, não temos relações quebradas, mas estamos comprometidos com pessoas abusadas que nos ferem regularmente. Isso se vê especialmente no caso de mulheres que se tomam dependentes emocionalmente de homens que as maltratam. Esse padrão é reconhecido na literatura e na psicologia como co-dependência, dependendo emocionalmente de outra pessoa que age como se estivesse dependente de nós. Existem grupos de apoio, em cidades grandes como São Paulo, para mulheres que amam demais, mulheres que não sabem como lidar com a vida sem esses homens que as maltratam.
Deixe-me ilustrar a co-dependência. Visualize uma cadeira sem um dos pés, com urna pessoa sentada nela. Essa pessoa representa uma pessoa doente ou dependente (alcoólatra, deprimida etc.), que cairia se outros não a sustentassem. Visualize agora alguém segurando a cadeira para que não caia. Essa pessoa representa a co-dependente, cuja vida está comprometida em cobrir, proteger e cuidar da dependente. Ela se sente responsável por manter ou cobrir a dependente, não a deixando experimentar as conseqüências normais de sua dependência e, assim, sendo inconscientemente responsável por mantê-la na dependência. Querendo ajudar e proteger, acaba mantendo-a dependente em seu problema. O auxiliador se torna co-dependente: dependente da pessoa doente. O co-dependente acaba ganhando seu sentido de significado, de importância e valor da pessoa dependente. Não pode deixar a cadeira cair. Não pode deixar a peteca cair. O sentimento de bem-estar da pessoa co-dependente depende do bem -estar da pessoa doente.
Recentemente, a Editora Vida lançou um bom livro sobre esse tema: A Mulher Maltratada (Doloroso Testemunho de Unia Esposa em Sofrimento), de Kay Marshall Strom (Ed. Vida, 1986/1995, 199 pág.). O livro documenta as tensões que aumentam quando a mulher tem uma convicção de que deve ser submissa ao marido em tudo. Indica a complexidade emocional e espiritual, as opções para a mulheres nessa situação, como encontrar a cura e o papel que a igreja pode ter. Outro livro bom sobre o tema é Criando Sua Liberdade (Amor Sem Dependência , escrito por Carlos Barcelos (Ed. Gente, Rua Ibiraçú 93 - Vila Madalena CEP 05451 - São Paulo - SP; fone (011) 864-8442).
7. Muitas pessoas não conseguem relacionar-se bem com os que estão em posição de autoridade sobre elas ou não conseguem exercer autoridade como servas. Aqui, há dois problemas relacionados à autoridade.
O primeiro problema é a dificuldade séria de se submeter. Essa pessoa geralmente sofreu abusos ou foi traída por autoridades no passado, especialmente por seus pais. Ela tem uni espírito forte de independência ou individualismo. Tal espírito a leva a resistir, abertamente ou não, às autoridades em sua vida. Isso pode ser a raiz pela qual repetidas vezes perde ou muda de emprego, muda de igreja ou se toma parte de um grupo que resiste ao pastor, ou tem problemas sérios no casamento - se for homem, procura forçar a submissão da mulher, e se for mulher, resiste ou mina a liderança do marido, puxando-lhe o tapete. Essa pessoa pode tornar-se uma bomba emocional, à espera de, no mínimo, um acidente para detonar. Não consegue ser interdependente. Sempre precisa ter a última palavra. O segundo problema relacionado à autoridade é não saber como exercer essa autoridade como servo (Mt 20.25-28; 1º Pe 5.2-3). Mais uma vez, essa pessoa não consegue ser interdependente. Revela-se autoritária e dominante, controlando e manipulando as pessoas ao seu redor. Quando as pessoas estão fazendo o que ela quer, pode ser um exemplo de amor, alegria, paz e benignidade. Mas quando alguém cruza seu caminho, pode tornar-se outra pessoa, manipulando ou controlando os que com ela convivem. A resposta manipuladora faz com que os outros sintam-se pessoas más, culpadas e responsáveis pelo estado emocional dela. A resposta controladora procura forçar os outros a fazer o que ela quer, tornando-se em alguns casos, hostil e violenta contra pessoas que não se submetem.
Toda pessoa que exerce autoridade tem que lutar com essas tendências, seja mãe, pai, gerente, empresário ou pastor. As pessoas controladoras facilmente machucam a identidade ou personalidade de outras. Tais pessoas desenvolvem uma teologia que apóia sua postura e são rodeadas por pessoas dependentes. Às vezes, é mais fácil mudar de local do que esperar mudanças nesse tipo de pessoa. Ao mesmo tempo, temos que avaliar até que ponto o problema está nela e até que ponto está em nós um espírito de independência e individualismo!
8. Muitos têm praticado relações sexuais fora do casamento. A liberdade sexual, provavelmente, é a maior tragédia do século vinte. Um artigo que li recentemente indicou que, no Brasil, 90% dos homens solteiros e 65% das mulheres solteiras tiveram relações sexuais antes dos 21 anos. Jaime Kemp e outros dizem que as estatísticas na igreja, infelizmente, não são muito diferentes. Podemos acrescentar a isso o número de pessoas casadas que têm casos fora do casamento.
A mulher tem bem mais probabilidade de ser traumatizada por meio de relações pré-nupciais ou extra-nupciais. Existem várias razões para isso: ela experimenta uma violação física de seu corpo. ela é mais sensível quanto a relacionamentos interpessoais e ela tem uma tendência a ser mais sensível espiritualmente. A relação pré-nupcial facilmente afeta sua futura relação quando se casa, ainda que a relação pré-nupcial tenha sido apenas com o futuro marido. E difícil falar sobre esses sentimentos tão íntimos e, por isso, é difícil a mulher ser curada do autodesprezo, medo ou ira que facilmente são ligados a relações pré-nupciais. Isso acaba limitando seu prazer e sua liberdade no ato sexual, que podem, por sua vez, levar a outros problemas no casamento, incluindo infidelidade.
Existe outra tragédia maior: a tragédia das pessoas, mais comumente os homens, que se endurecem de tal forma que não sentem quase nada errado em ter relações sexuais fora do casamento. Essas pessoas estão no caminho de Romanos 1.18-32, longe do coração de Deus e andando na direção da eterna separação de Deus.
9. Alguns têm provocado o aborto. Infelizmente, o número de abortos nos últimos trinta anos tem se multiplicado incrivelmente. A Associação Pró-Vida de Brasília diz que existem 4.000.000 de abortos por ano, 75% deles sendo da parte de pessoas não casadas (solteiras, separadas ou divorciadas). E difícil abortar sem argumentar que a criança no útero não é humana. Muitos lutam para não admitir que o concebido é um ser humano, por que a dor de tal admissão seria terrível demais. Admitindo que é humano, o aborto se torna homicídio. Seria uma angústia horrível reconhecer que você foi colocado por Deus para nutrir, proteger e dar sua vida para uma pequena pessoa inocente, sem defesa, sem culpa nenhuma, que dependia totalmente de você para tudo, e você escolheu matá-la. Quando a alma de uma mulher é atingida pela perspectiva de que ela, como mãe, matou sua própria criança, o trauma é profundo.
Mesmo sendo terrível, em certo sentido, é mais fácil procurar e receber perdão e cura para o aborto do que para muitas outras coisas. O aborto é um ato violento. Sofrer abuso emocional ou físico por anos geralmente é mais complexo e difícil de resolver do que um ato específico. Mas não se pode simplesmente esquecer desse ato ou procurar um perdão barato. E preciso confessar esse pecado para Deus e para mais alguém que possa ministrar perdão, possivelmente meditando nas implicações de Salmo 139.13-16 e 1 Coríntios 6.15-20.
A confissão tem que ser acompanhada por arrependimento e contrição e seguida pela restituição, demonstrando frutos de arrependimento.
10. Algumas pessoas têm cometido atos criminosos ou violentos ou se identificado com tais atos. Essas pessoas têm se tornado agentes do diabo, no propósito dele de destruir as vidas de outros. Essa pessoa é violenta, violando as possessões de outros ou, bem pior, as próprias pessoas. Geralmente, essa violência é uma expressão, às vezes inconsciente, de raiva.
A pessoa violenta, geralmente, foi violentada de alguma forma quando criança, especialmente por seus pais ou outras pessoas importantes. Ela responde a essa violência com raiva e decide, muitas vezes inconscientemente, vingar-se. Não pode vingar-se de seu pai ou mãe no começo, sendo pequeno, e também sente culpa quanto às suas emoções negativas contra seus pais. Eu preciso amá-los. Me deram a vida, me criaram, sacrificaram-se por mim. Ainda que nem sempre pareça, eles me amam. Não posso sentir raiva ou ódio deles. Então, é mais fácil jogar essa raiva contra outros, procurando outros mais fracos que se tornam vítimas como ele. Homens podem expressar isso espancando suas esposas, ou pais espancando suas crianças.
Um excelente livro nessa área é o de Kay Strom, A Mulher Maltratada, que já comentamos.
A raiz da violência dos atos criminosos é uma mistura de um coração ferido e de um coração endurecido pelo pecado. Simplesmente tratar do pecado e não da ferida não dará certo. Procurar tratar da ferida e ignorar o pecado também não dará certo. A pessoa precisa de um tratamento duplo.
11. Muitas pessoas têm se envolvido com espiritismo (macumba, esoterismo, meditação transcendental, kardecismo) ou falsas religiões (maçonaria e sociedades secretas, Nova Era, misticismo, seitas etc.). Patrick Johnston, no seu livro Intercessão Mundial; da Missão Amém, pág. 171, cita que mais de 60% dos brasileiros estão envolvidos em práticas do espiritismo ou ocultismo, sendo que a maioria também se considera católica, Os demônios têm fácil acesso às pessoas que participam do espiritismo. As vezes, a participação dos pais acaba abrindo uma brecha na vida das crianças. Paulo fala que o crente santifica seu cônjuge descrente e suas crianças (1 Co 7.14). Assim, não nos deve surpreender que o mesmo pode acontecer de forma demoníaca, com alguém estendendo aflição demoníaca para os membros de sua família.
A igreja primitiva tinha o costume de incluir urna série de renúncias e de declarações de compromisso no batismo. Algumas igrejas litúrgicas ainda mantêm essas renúncias, mas a maioria das igrejas evangélicas não conhece nada sobre a necessidade de renunciar ao envolvimento prévio com o diabo, o mundo e a carne.
A cura interior está muito ligada à libertação. Geralmente, alguém afligido por demônios (pode ser crente ou não-crente) também tem outros problemas indicados acima. O ministério de libertação, normalmente, não tem resultados duradouros se não houver cura das raízes que deram a brecha para o inimigo. De forma parecida, na ministração da cura, especialmente se a pessoa abriu brechas para os demônios, precisa haver ministração de libertação. Existem portas e portões pelos quais os demônios nos afligem! Os cinco portões são: rejeição pelos pais, envolvimento no espiritismo, relações sexuais fora do casamento, alcoolismo ou drogas e o desejo de suicidar-se. Comentamos mais sobre batalha espiritual no capítulo cinco.
Então, para resumir, a primeira razão pela qual a cura interior é tão importante é a gritante necessidade de tantas pessoas com múltiplas feridas em nossa sociedade no final deste século. A família e a sociedade estão cada vez mais desestruturadas, mais transitórias, menos firmes e menos confiáveis. O resultado natural e inevitável disso são indivíduos desestruturados e disfuncionais. É um círculo vicioso de pessoas desestruturadas, gerando a cada dia uma sociedade mais desestruturada, que, por sua vez, gera pessoas mais desestruturadas. Hoje, muito mais do que nos primeiros 1950 anos d.C., precisamos de uma igreja que saiba ministrar cura interior!
Jesus já sabia como seriam os séculos vinte e vinte um. Ele teve uma missão em sua vinda, que atinge em cheio a necessidade de nossa geração.
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