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A Borboleta

Um dia desses eu fui ao Rancho.

Lá é um lugar muito bonito com flores, nascentes, lagos com peixes e o verde das matas que emolduram o ambiente. Eu costumo pensar que alí é um pedacinho do céu. Quando lá cheguei, deparei-me com uma cena muito interessante: Em um dos vértices do madeiramento do telhado da casa do lago, foi construida uma teia. Eu diria que perfeita e estrategicamente tecida por uma aranha... não tão simpática quanto a teia! Eu fiquei olhando aquele bonito trabalho, reparando suas formas e arquitetura durante algum tempo, até que uma criaturinha linda cativou totalmente a minha atenção. Era uma borboleta colorida, singela e frágil, cheia de doçura no seu voar. Ela voava sobre os jardins... hora pousava numa flor, hora noutra flor como que, visitando-as uma a uma com alegria.

Eu a contemplava à certa distância, mas percebi que, a cada momento, se aproximava mais da casa onde eu estava. Ela parecia curiosa e vinha, cada vez, mais perto.

Fiquei feliz por vê-la tão mansinha.

Mas, de repente, num daqueles seus mergulhos no ar, não percebendo a grande teia, fatalmente se chocou contra ela. Que cena incrível ! Aquela que voava em plena liberdade, tendo o céu todo como seu caminho particular, agora estava ali, agarrada àquela teia que agora, parecia ter sido tecida com cordas de couro cru e a apertava mais, a cada movimento que fazia. Enquanto o frágil e lindo inseto se batia, eu percebi que a aranha aguardava, calmamente, o enfraquecer de sua presa, agora totalmente indefesa. Vi alguns outros insetos que chegavam. Até um beija-flor parecia mostrar solidariedade, mas não havia nada que eles pudessem fazer por ela! Então eu tive dó e fiz de tudo para soltá-la. Tive que me sentir quase do seu tamanho para poder tocá-la sem lhe feri-la... mas consegui! Tinha agora a criatura em minhas mãos. Cheia de medo, com as asas sujas do contato com a grudenta armadilha... mas livre! Então limpei suas asas, esperei que recobrasse as forças e como num gesto cinematográfico levantei-a na palma da mão, mostrei-lhe o céu - o seu lugar, a sua liberdade... e ela voou!!! Que cena incrível! Foram minutos apenas, mas tempo suficiente para uma reflexão sobre a minha própria vida:

Eu também fui criado para a liberdade, mas curioso, deixei o meu lugar e na teia do pecado fui detido. Apavorado, me batendo enfraquecido esperei que as pessoas me ajudassem... mas elas não podiam me soltar. Dessas teias não! Suas idéias também não podiam me livrar. Não dessas teias! Eu estava perdido. Foi aí então que eu fui tocado. Não por uma coisa ou por alguém igual a mim, mas pelo próprio Deus. Foi seu amor que percebeu a minha angústia. Foram seus dedos que limparam as marcas do pecado em mim. Foram suas mãos que me mostraram outra vez a liberdade para a qual eu fui criado. Então, e só então, eu pude compreender essas palavras de Jesus:

Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

Autor: Ozias Andrade


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